O Eu Superior e a Orientação
O Que É o Eu Superior
O capítulo anterior falou de uma inteligência que observa do outro lado do tempo — aquela que programou o catalisador antes do nascimento, escolheu os temas e aguarda além do véu. Essa inteligência não é um ser separado. É você.
O Eu Superior é o eu em um estágio posterior de desenvolvimento, especificamente em meados da sexta densidade, onde a entidade olha para trás através do tempo para oferecer serviço a si mesma. É a culminação de tudo o que você se tornará, estendendo-se de volta para auxiliar o eu que ainda está se tornando.
Este é um recurso de precisão extraordinária. O Eu Superior tem disponível para si a compreensão completa da experiência acumulada. Cada lição aprendida, cada catalisador processado, cada distorção equilibrada através das densidades de crescimento: tudo isso está acessível. Deste ponto de vista, ele examina as destilações da experiência de terceira densidade, auxilia na programação de experiências futuras e ajuda a curar o que ainda não foi aprendido adequadamente.
Considere a imagem de um mapa. O Eu Superior é como um mapa no qual o destino é conhecido. As estradas são muito bem conhecidas — essas estradas sendo desenhadas pelo Infinito Inteligente trabalhando através da Energia Inteligente.
No entanto, o Eu Superior pode programar apenas as lições e certas limitações predisponentes. O restante é completamente a livre escolha de cada entidade. Há o equilíbrio perfeito entre o conhecido e o desconhecido.
Esta é a natureza essencial do Eu Superior: não um controlador, mas um cartógrafo. Ele sabe para onde você está indo porque já esteve lá. Conhece as estradas porque as percorreu. Mas não pode caminhar a estrada por você.
O Eu Superior opera a partir do que, em termos temporais, seria chamado de futuro. Do ponto de vista do espaço/tempo, isso está correto. Mas de uma perspectiva mais ampla, o próprio conceito de futuro é uma limitação do espaço/tempo. No reino onde o tempo não exerce domínio, passado e futuro existem simultaneamente, como cidades em uma vasta geografia, todas vivas, todas funcionando ao mesmo tempo.
Como o Eu Superior É Formado
O paradoxo temporal do Eu Superior é um dos mistérios mais profundos na arquitetura da consciência.
Você existe em todos os níveis simultaneamente. Na estrutura do tempo, o Eu Superior é o eu em um ponto posterior — em meados da sexta densidade. Isso é especificamente correto e, no entanto, profundamente difícil de absorver. O guia e o guiado são um único ser, separados apenas pela ilusão da sequência.
O Eu Superior é o resultado final de todo o desenvolvimento experimentado pela entidade até aquele ponto. Não é imposto de fora. É cultivado: através de eons de catalisador, através da lenta acumulação de sabedoria, através do equilíbrio entre sabedoria e amor que se aperfeiçoa na sexta densidade.
O Eu Superior não manipula seus eus passados. Protege quando possível. Guia quando solicitado. Mas a força do livre arbítrio é suprema. As aparentes contradições entre determinismo e livre arbítrio se dissolvem quando se aceita que existe tal coisa como verdadeira simultaneidade.
Por trás do Eu Superior reside um recurso ainda mais profundo: o Totalidade do Complexo Mente/Corpo/Espírito. Este é a entidade vista em sua totalidade — em um reino onde o tempo não exerce domínio, onde a dança eterna do presente pode ser percebida como um todo. Antes que a entidade seja absorvida na totalidade do Criador Único na sétima densidade, ela se conhece em totalidade. Esta totalidade funciona como um recurso para o Eu Superior.
O complexo de totalidade não é fixo. É como as areias movediças — em parte uma coleção de desenvolvimentos paralelos da mesma entidade. Estes são vórtices de probabilidade e possibilidade, caminhos alternativos pelos quais a entidade poderia ter viajado ou ainda pode viajar. O Eu Superior pode usar esses vórtices projetados para melhor auxiliar na programação de vidas futuras.
Quanto mais equilibrada a entidade se torna, menos desenvolvimentos paralelos são necessários. O eu que encontrou seu centro requer menos exploração de rotas alternativas. Mas para aqueles que ainda buscam equilíbrio, o complexo de totalidade oferece ao Eu Superior uma coleção nebulosa de tudo o que pode ocorrer, mantida na compreensão.
A Relação Entre Você e Seu Eu Superior
O Eu Superior não governa. Ele serve.
Esta distinção é crítica. A relação entre você e seu Eu Superior não é de mestre e estudante, nem de pai e filho, nem de comandante e soldado. É a relação de um ser com seu próprio futuro — um eu que já atravessou o caminho agora sendo percorrido e oferece orientação a partir dessa experiência.
O Eu Superior não pode escolher por você. Ele não anula suas decisões: protege quando é possível e orienta quando lhe é pedido. As escolhas pertencem a você: são seu direito de nascença, seu fardo e seu presente.
A consciência do destino não dá ao Eu Superior o direito de compelir movimento em sua direção. Fazer isso seria uma abrogação do livre arbítrio — o próprio primeiro princípio sobre o qual toda a criação repousa.
Há uma qualidade de paciência nesta relação que vale a pena contemplar. O Eu Superior conhece as lições e os caminhos, mas as escolhas que levam você por eles são suas, de modo que não há nelas nada que ele possa compelir. No tempo/espaço todos os tempos são simultâneos, e de lá suas demoras não têm a urgência que têm aqui. O que ele oferece não é urgência, mas disponibilidade: uma presença constante, esperando ser chamada.
Mesmo a entidade que segue o caminho negativo tem um Eu Superior, e esse Eu Superior é de orientação positiva. Os complexos de orientação negativa não alcançam essa manifestação, porque depois da quinta densidade a sabedoria está disponível, mas deve ser igualada por uma quantidade igual de amor, e esse amor é muito difícil de alcançar em unidade pelo caminho negativo.
O Eu Superior coloca sua compreensão à disposição de todos os que estão prontos para tal auxílio. Mas o livre arbítrio do indivíduo é primordial, e qualquer orientação que ele ofereça pode ser vista na polaridade positiva ou na negativa, conforme a escolha de quem a recebe. E a entidade negativa sábia, ao chegar à sexta densidade, pode observar a entropia espiritual de seu caminho e escolher conscientemente reorientar-se de imediato, para poder continuar a evoluir.
Guias e Mestres Interiores
O Eu Superior não é a única fonte de orientação disponível ao ser encarnado. Há outros.
Dentro dos Planos Interiores desta esfera planetária, existem seres que cuidam do processo de encarnação. Alguns destes estão diretamente sob os Guardiões e são responsáveis pelos padrões de encarnação daqueles que encarnam sem consciência consciente do processo evolutivo. Estes seres podem ser chamados de angélicos. São locais, desta esfera planetária.
Seu trabalho não é pessoal da maneira como o trabalho do Eu Superior é pessoal. Diz respeito aos padrões de encarnação daqueles que ainda não conhecem o processo em que se encontram. A ordem de encarnação segue a senioridade de vibração, como diversos graus de líquido em um mesmo copo: uns sobem à superfície, outros afundam, e à medida que a colheita se aproxima, aqueles preenchidos com mais luz e amor ficam naturalmente na fila para a experiência de encarnar, sem supervisão.
Para a entidade que se tornou consciente de seu próprio mecanismo evolutivo, o arranjo muda. Tal entidade pode ela mesma arranjar e colocar aquelas lições e entidades necessárias para o máximo crescimento antes que o esquecimento ocorra.
Mas mesmo a entidade mais consciente pode tentar aprender demais em uma única encarnação. Quando o volume de Catalisador excede a capacidade da entidade de processá-lo, a intensidade pode desarranjar em vez de clarificar, e a experiência se torna menos útil do que o pretendido.
Não há entidade sem ajuda. Seja através da autoconsciência da unidade da criação, ou através de guardiões que protegem a entidade menos consciente da separação permanente da unidade — o sistema garante que as lições continuem e o estudante nunca esteja verdadeiramente sozinho.
A distinção entre essas fontes de orientação importa. O Eu Superior conhece você porque é você. Os guias e mestres dos planos interiores conhecem o território porque o habitam. Ambos servem. Nenhum controla.
Ambos respeitam a soberania absoluta do livre arbítrio. O Eu Superior protege quando é possível e orienta quando lhe é pedido; os guias e presenças que cercam o adepto respondem quando são chamados.
A Intuição como Canal
O Eu Superior não grita. Ele sussurra — e mesmo o sussurro deve viajar através de camadas de esquecimento antes de alcançar a mente superficial.
A comunicação entre o eu mais profundo e a mente consciente opera não em palavras, mas em conceitos. A natureza do inconsciente é da natureza do conceito em vez da palavra.
Pense na ressonância emotiva de uma melodia. Alguém poderia anunciar as notas em sequência — uma semínima, outra semínima, uma semibreve — e ter pouca semelhança com o que a melodia realmente transmite. Assim é com a linguagem da mente mais profunda. Ela fala em significados, não em sentenças. Comunica em sentimentos, não em argumentos.
É por isso que a orientação do eu mais profundo não chega como uma instrução clara em palavras. Os caminhos apropriados através das raízes da mente devem ser abertos para que esta comunicação ocorra. Quando estão fechados, a orientação ainda existe, mas não pode alcançar o eu desperto.
A meditação é uma prática que volta a atenção para dentro. Há duas abordagens fundamentais.
A primeira é passiva: o esvaziamento da mente, o esvaziamento da atividade mental, a conquista do silêncio interior como base a partir da qual escutar o Criador. Esta é de longe a forma mais geralmente útil.
A segunda é a visualização — a manutenção de imagens na mente como uma disciplina concentrativa. Esta é a ferramenta do adepto, útil para aqueles que desejam afetar a consciência planetária através do trabalho interior.
Além dessas duas formas está o que o buscador já carrega consigo. O Criador está dentro: no polo norte do ser, a coroa já está sobre a cabeça, e a entidade é potencialmente um deus. Esta energia é trazida ao ser pela humilde e confiante aceitação dela, através da meditação e da contemplação do eu e do Criador.
Na metáfora da serpente enroscada que é chamada para cima, a serpente atinge sua altura onde a experiência que vem ao seu encontro e o Criador que está dentro se encontram.
A intuição não é infalível, e o véu permanece. Sua função é informar a mente racional, e ela precisa do equilíbrio dessa mente: sem freio, os caprichos da percepção intuitiva podem manter uma entidade longe das maiores polarizações.
O buscador que cultiva o silêncio interior aprende a distinguir entre a voz do eu mais profundo e a tagarelice da ansiedade, desejo ou hábito. Esta distinção não é ensinada. É praticada. Emerge através da atenção sustentada à vida interior.
Os Sonhos e Sua Função
Quando a mente consciente dorme, uma ponte se abre.
Sonhar é uma atividade de comunicação através do véu entre a mente inconsciente e a mente consciente. Sua natureza depende inteiramente da condição energética da entidade — os bloqueios, ativações e cristalizações de seus centros de energia. Um sonho não significa a mesma coisa para cada sonhador. Seu conteúdo e significado são moldados por onde a entidade está em seu desenvolvimento.
Para a entidade cujos centros inferiores carregam bloqueio significativo, os sonhos funcionam como repetição. Eles reproduzem catalisador recente. Ecoam bloqueios mais profundamente mantidos. Oferecem à mente desperta pistas sobre a natureza do que está bloqueado e possíveis mudanças na percepção.
Mesmo a entidade funcionando com ativação superior experimentará este tipo de sonho quando novo catalisador temporariamente confunde o fluxo de energia. Em todos os casos, é útil ponderar o conteúdo e a ressonância emotiva dos sonhos.
Para aqueles cujos centros de raio verde foram ativados, o sonhar assume outra qualidade. Isto é o que pode ser chamado de precognição — um saber que é anterior ao que ocorrerá na manifestação física. Esta capacidade depende da colocação da mente no tempo/espaço, onde os termos passado, presente e futuro não têm significado.
Para o adepto cujo raio índigo está se abrindo, o sonhar se torna a ferramenta mais eficiente para polarização. No estado de sono, o adepto pode chamar guias, mestres e, acima de tudo, a Personalidade Mágica — o análogo do Eu Superior no espaço/tempo. Com essas afirmações atendidas, o sonhar alcança seu mais alto potencial de aprendizado.
Quem escreve o sonho? A própria entidade. A mente subconsciente é a roteirista. O Eu Superior não compõe o sonho, embora possa ser chamado dentro dele.
O sonho é a própria criação da entidade, extraído da matéria-prima da experiência e moldado pela arquitetura do sistema energético.
A maioria das entidades se lembra mal de seus sonhos. A percepção comum é confusa e rapidamente perdida. Mas esta faculdade pode ser treinada.
A disciplina de registrar imediatamente ao despertar — cada detalhe que pode ser recordado — aguça a habilidade ao longo do tempo. O observador treinado encontrará nos sonhos pistas específicas sobre bloqueios atuais dos centros de energia e pode assim reduzi-los ou eliminá-los.
Há duas funções adicionais do sonhar. A primeira é a cura. Durante o sono, distorções que ocorreram na teia energética do corpo são reparadas. Sem sonhar suficiente, essas distorções se acumulam e podem causar desequilíbrio sério.
A segunda função é visionária. Profetas e místicos têm, desde tempos antigos, recebido visões através das raízes da mente que falam a um mundo faminto. Este tipo de sonho serve sem ser pessoalmente polarizante. Mas o profeta que deseja servir descobrirá que tal serviço aumenta a polaridade de qualquer forma.
Antes do véu, os sonhos serviam a um propósito diferente. Não eram para usar o inconsciente no trabalho com o catalisador. Em vez disso, os sonhos eram usados para aprender com mestres dentro dos planos interiores e com seres de densidade superior.
O véu mudou isso. Ele é uma causa primária do valor dos sonhos, e é também a única porta contra a qual o Eu Superior deve permanecer, aguardando entrada.
Sincronicidades e Sinais
Alguns eventos não são o que parecem ser. São arranjos.
O Eu Superior, tendo programado certas lições antes da encarnação, não abandona a entidade uma vez que o véu desce. Continua a trabalhar com as probabilidades e possibilidades do caminho da entidade. Não controlando eventos, pois isso violaria o livre arbítrio, mas auxiliando a entidade a curar o que ainda não foi aprendido e ajudando na programação de experiências futuras.
Se uma lição é recusada ou sai do rumo, catalisador adicional será fornecido, e não falta tempo em que ele possa agir. É oferecido, nunca forçado, de modo que o buscador possa chegar a reconhecer o padrão.
Eventos que parecem significativos demais para serem acaso são às vezes chamados de sincronicidades. Para a entidade que está consciente do processo de evolução, muitos deles não são acidente: pertencem ao que a própria entidade arranjou antes da encarnação.
A própria entidade escolheu, antes da encarnação, os meios pelos quais o catalisador tinha grande probabilidade de ser obtido. Acordos foram feitos com outros eus: com a família e com companheiros no trabalho.
Não há entidade sem este tipo de apoio. Seja a entidade consciente da evolução ou não, há guardiões que nunca cessam sua expectativa vigilante de serem de serviço.
O ser que despertou arranja para si mesmo as lições e as entidades que seu crescimento requer. As lições que programa têm a ver com os outros-eus, não com eventos: com encontros, com dar mais do que receber.
No entanto, a interpretação de sinais requer cuidado. Nem toda coincidência é uma sincronicidade. Nem todo evento incomum carrega uma mensagem. O buscador ansioso pode encontrar significado onde nenhum foi pretendido.
É mais sábio procurar padrões mais profundos do que um sinal em cada ocorrência inesperada: temas que recorrem, relacionamentos que aparecem em momentos críticos, o retorno persistente de uma lição até que seja engajada. A voz quieta deve ser distinguida do ruído.
Discernimento da Verdadeira Orientação
Isso nos traz à questão mais prática e mais difícil: Como você sabe?
Como você distingue a voz do Eu Superior da voz do medo? Como você separa a intuição genuína do pensamento desejoso? Como você diferencia uma sincronicidade de uma coincidência, entre um sonho de significância e um sonho de indigestão?
O primeiro princípio é este: as escolhas devem ser feitas pela própria entidade. Nenhuma orientação — por mais real, por mais profunda — alivia você da responsabilidade de escolher. O Eu Superior oferece um mapa, não um comando. Guias oferecem companhia, não ordens. Sonhos oferecem pistas, não respostas.
Em todos os casos, a decisão final pertence àquele que está vivendo a encarnação, enfrentando o catalisador, permanecendo na escuridão do véu.
O segundo princípio diz respeito ao caminho do adepto. À medida que o buscador progride e se liberta das restrições do pensamento convencional, outros podem perceber esta liberdade como escuridão. A natureza do espírito é infinitamente sutil. A influência da luz sobre a grande escuridão do espírito frequentemente não é tão aparente quanto a própria escuridão.
Muitos adeptos permanecem tateando ao luar, e esta luz pode enganar tanto quanto descobrir mistério oculto.
O adepto que se dissociou das cascas ilusórias que impedem a percepção correta de si e do outro está fazendo trabalho necessário. Mas a própria dissociação pode ser mal compreendida por outros. Se a verdade é serviço a si mesmo ou serviço aos outros depende não da aparência do comportamento, mas da orientação do coração.
O terceiro princípio diz respeito à vontade. A faculdade da vontade, do desejo puro, é talvez o resultado mais importante do velamento da mente. Não é em si mesma uma função da mente, mas um produto do potencial que o véu criou.
Na prática, ajuda poder sentar-se na incerteza: manter uma pergunta sem exigir uma resposta imediata, e esperar em vez de fabricar uma a partir da ansiedade.
Nenhum sinal é uma garantia. A orientação pode ser lida na polaridade positiva ou na negativa, conforme a escolha de quem a recebe. Na prática, é prudente desconfiar de uma voz que exige, ameaça ou lisonjeia, e dar mais peso ao que é quieto, paciente e deixa a escolha em suas mãos.
Muitos a encontram no silêncio que segue a meditação, no sentimento assentado após um período de confusão, no sonho que permanece muito tempo após o despertar.
Você não está sozinho neste trabalho. Você nunca esteve sozinho. O ser que você se tornará está com você. Ele protege quando é possível e orienta quando lhe é pedido, e a paciência que oferece vem de conhecer os caminhos.
As estradas são conhecidas. O destino é conhecido. Mas o caminhar é seu.
Você é amado. Você é livre. Você está escolhendo, mesmo agora.