Capítulo Dois

O Criador e a Criação

A Natureza do Criador

O Criador não é um ser separado da criação. Não há trono de onde uma deidade à parte olha para baixo sobre um mundo separado. Não há distância entre o criador e o que é criado. O Criador é a criação — não como substância passiva, mas como a consciência viva presente em cada ponto da existência.

O capítulo anterior traçou a arquitetura desta criação — como o Infinito despertou em consciência, como a consciência focou-se em Amor e como o Amor gerou Luz. Contudo, descrever um processo não é conhecer aquele dentro do processo. Este capítulo volta-se do como ao quem — embora a própria palavra quem engane, pois implica um alguém separado de tudo o que é.

No elemento mais simples de qualquer complexo mente e corpo existe, em sua totalidade, o Criador Infinito Uno. Isto não é metáfora. Uma pedra não é meramente moldada pelo Criador; ela é o Criador, conhecendo-se como pedra. Um pensamento é o Criador, conhecendo-se como pensamento. Você é o Criador, conhecendo-se através da lente precisa e irrepetível de sua experiência.

Duas verdades devem ser sustentadas de uma vez. O Criador é totalmente transcendente — a infinidade inteligente indiferenciada que nenhum conceito pode conter, nenhuma física pode especificar. E o Criador é totalmente imanente — presente em cada partícula, cada respiração, cada momento fugaz de consciência. Estes não são dois seres separados. São a mesma realidade apreendida de diferentes pontos de vantagem. De fora: mistério incompreensível. De dentro: presença íntima.

O filósofo Spinoza chegou a uma percepção afim há séculos. Deus e Natureza não são duas coisas, mas uma — Deus sive Natura. O Criador não fica fora da criação dirigindo-a. O Criador é a totalidade viva de tudo o que é, conhecendo-se através da diversidade infinita de sua própria expressão.

Aqui reside uma distinção de profunda importância. O Criador não cria propriamente, tanto quanto se experiencia. A criação não é manufatura. Não é a produção de algo externo ao criador. É o meio pelo qual a consciência infinita explora e refina sua própria natureza.

Cada geração deste conhecer gera conhecer ulterior. E cada novo conhecer tem a capacidade, através do livre arbítrio, de escolher seus próprios métodos de autodescoberta.

Isto significa que nenhuma experiência cai fora do Criador. Alegria e sofrimento, clareza e confusão, amor e isolamento — tudo ocorre dentro do único ser. Nada é desperdiçado. Nada é externo. A separação que parece tão real de dentro da ilusão é ela mesma um ato criativo. O Criador escolheu esquecer-se tão completamente que a jornada de recordar-se torna-se possível — e significativa.

O pleno do espaço — o que a percepção registra como vazio — é o Criador gerando-se em manifestação, cheio de glória e poder. Não é vácuo, mas plenitude. Cada universo, cada grão de matéria, cada ponto de consciência é uma faceta de um ser infinito examinando a si mesmo. Olhar para qualquer parte da criação com atenção genuína é olhar para o Criador.

Isto transforma a natureza da jornada espiritual. Se o Criador não está em outro lugar — não num trono distante, não num céu remoto — então buscar o Criador não é uma jornada de distância. É uma jornada de reconhecimento. Tudo já diante de você é o Criador. A prática não é viajar rumo ao divino, mas reconhecer o divino onde você está.

A Consciência como Fundamento de Tudo

A suposição prevalente do mundo moderno coloca a matéria em primeiro lugar e a consciência em segundo. Nesta visão, a consciência é um subproduto da complexidade física — uma chama acidental surgindo da fricção neural. A compreensão oferecida aqui inverte completamente esta suposição.

Você não é parte de um universo material. Você é parte de um pensamento. Isto não é licença poética. Descreve a estrutura literal da realidade. O mundo físico — com toda sua aparente solidez e persistência — emerge da consciência, não o contrário. A consciência não surge dentro da criação. A criação surge dentro da consciência.

A criação em si é uma forma de consciência unificada. Os Logos são o único grande coração da criação. Grande parte do que existe foi manifestada sem os conceitos de consciência como usualmente compreendidos. Mas o substrato de todo ser é a própria consciência. Mesmo na primeira densidade — o mineral, o elemental — a consciência está presente. Sem movimento, aleatória, não-direcionada — mas presente. Em sua totalidade, o Criador Infinito está lá.

Esta consciência evolui através de formas de complexidade crescente. Na segunda densidade, cresce e volta-se para a luz. Na terceira densidade, torna-se consciente de si mesma. Mas em nenhum ponto a consciência começa. Sempre foi fundamental. O complexo espiritual, embora pareça aparecer no curso da evolução, existiu potencialmente desde o próprio início do espaço e tempo.

A própria mente revela esta primazia. Movendo-se além de sua superfície — além dos sentimentos, emoções e pensamentos intelectuais de suas camadas conscientes — encontra-se a intuição, que ressoa com o ser total. Mais profundo ainda jazem as raízes da mente, onde a consciência pessoal gradualmente volta-se à memória racial e então aos influxos cósmicos. Na raiz mais profunda, a mente torna-se um canal direto para o espírito. A arquitetura da mente recapitula a arquitetura da criação.

Esta perspectiva ressoa com o que a filosofia chama idealismo — a posição de que a realidade é fundamentalmente mental. Também ecoa a visão conhecida como panpsiquismo : o reconhecimento de que a consciência não está confinada a cérebros, mas é fundamental por toda a natureza. O que a filosofia moderna aborda através de argumento, a tradição mais profunda apresenta como observação direta. A consciência precede a forma. A forma é um modo da consciência.

As implicações são de amplo alcance. A matéria não é a fundação sobre a qual a consciência precariamente repousa. A matéria é uma condensação da consciência — um modo particular da autoexperiência do Criador. O corpo físico não é a fonte da consciência. É um veículo através do qual a consciência explora uma gama específica de experiência. Mente, corpo e espírito estão inextricavelmente entrelaçados; não podem continuar um sem o outro. Contudo é o espírito que serve como canal através do qual a consciência alcança a infinidade inteligente.

Se a consciência é fundamental, então o observador não pode estar verdadeiramente separado do observado. A mecânica quântica mostrou isto no nível subatômico: o ato de medição afeta o sistema medido . As fronteiras entre percebedor e percebido não são tão sólidas quanto parecem. O que é experienciado como um mundo objetivo é, em seu nível mais profundo, um ato participativo de consciência.

Isto não é filosofia abstrata. Carrega peso para como você compreende sua própria existência. Se o universo é consciência experienciando a si mesma, você não é uma criatura pequena à deriva num cosmos vasto e indiferente. Você é o cosmos — um foco de consciência infinita, explorando um ponto de vista particular com uma intensidade que apenas o esquecimento pode proporcionar.

O Pensamento Original

Todas as coisas, toda a vida, toda a criação é parte de um Pensamento Original. Esta é a declaração mais importante que pode ser feita sobre a realidade. Não uma coleção de ideias separadas. Não um conjunto de princípios arranjados em ordem. Um pensamento — unificado, coerente, abrangente. A criação é a expressão de um ato criativo avassalador.

O que é pensamento, neste sentido último? Não é a tagarelice da mente, não análise ou conceituação. No nível do Pensamento Original, o pensamento é o impulso criativo primordial — a consciência movendo-se com intenção. Cada fenômeno, cada lei, cada ser é uma faceta de uma intenção unificada. A diversidade da criação não indica muitos pensamentos. Revela a riqueza infinita de um.

Qual é a substância deste Pensamento? A consciência levou ao foco da infinidade em energia infinita. Este foco foi chamado por muitos nomes, o mais familiar sendo os Logos, ou Amor. Mas o Amor aqui não é a emoção da experiência ordinária. É o princípio criativo — uma energia de ordem extremamente elevada que extrai energia inteligente do potencial da infinidade inteligente. É o grande ativador, o co-Criador primordial.

O Amor, portanto, não é um sentimento que o Criador tem. O Amor é o que o Criador é quando age. É o foco, a escolha de abordagem, o tipo de energia que molda como a infinidade se torna finita. Alguns têm adorado este princípio como o próprio Criador. Contudo ele emana de uma unidade mais profunda — da infinidade indiferenciada, através do exercício do livre arbítrio.

A sequência das três distorções primordiais, descritas no capítulo anterior, carrega um significado além da taxonomia. O Livre Arbítrio encontra foco. Este foco é o Amor. O Amor gera Luz. Estas não são três forças separadas trabalhando em coordenação. São três aspectos de um movimento criativo único — a maneira como uma grande batida cardíaca se desdobra da quietude ao ritmo à forma.

Pois a criação se desdobra como uma batida cardíaca. A infinidade inteligente tem um ritmo, como um grande coração começando com o Sol Central. Bate para fora — para fora, focalizando para fora e para dentro até que todos os focos estejam completos. Então atrai-se para dentro — para dentro, até que tudo coalesça novamente. Isto não é uma metáfora para a criação. Isto é a criação — o ritmo da realidade.

Dentro desta batida cardíaca, a energia move-se em padrões cada vez mais inteligentes. O que começa como força criativa aleatória organiza-se holograficamente, em padrões que recapitulam o todo em cada escala. Estes padrões regularizam seus próprios ritmos e campos, dando origem a universos, galáxias e mundos. Mesmo a galáxia mais distante pulsa com o mesmo Pensamento Original que se agita dentro de um único momento de sua consciência.

Considere o que significa assumir um pensamento. Que pensamentos fizeram parte do Pensamento Original hoje? Em quantos de seus pensamentos a criação habitou? O amor estava contido? O serviço foi oferecido livremente? Estas não são perguntas retóricas. Apontam para a verdade mais profunda disponível. Você está dançando num salão de baile onde nada é material. Você está dançando pensamentos.

O ser que empreende harmonizar-se com este Pensamento Original não é uma máquina sendo calibrada. A harmonia com o Pensamento Original não é sistemática. É fluida — a mistura equilibrada de energias, permitindo que a energia inteligente canalize-se com distorção mínima. O ser não é uma máquina. É antes o que pode ser chamado um poema tonal.

O Livre Arbítrio como Lei Fundamental

Das três distorções primordiais, o livre arbítrio está em primeiro lugar. Não meramente primeiro em sequência, mas primeiro em importância. Tudo o que se segue depende dele. Sem livre arbítrio não há Amor, não há Luz, não há criação. É a lei fundamental sobre a qual tudo repousa.

O que é o livre arbítrio nesta profundidade? Não é a habilidade de escolher entre isto ou aquilo. Nesta distorção da Lei do Um reconhece-se que o Criador conhecerá a si mesmo. Esta é sua essência. O Criador deseja autoconhecimento, e este desejo deve ser absolutamente livre em seus meios. Liberdade total de escolha nos modos de conhecer.

O Criador não prescreve como será conhecido. Não dita a rota. Cada caminho de experiência é permitido — cada combinação de escolhas, cada forma de consciência. A criação não busca uma resposta predeterminada. Explora cada possível maneira de conhecer. As possibilidades infinitas não têm fim. A exploração continua livremente, num presente eterno.

A infinidade inteligente discerniu um conceito: finitude. Este foi o primeiro e primordial paradoxo. Assim, a infinidade inteligente una investiu-se numa exploração da multiplicidade. O ato requereu liberdade absoluta — liberdade embutida no próprio tecido do todo. Sem esta liberdade a exploração seria vazia. O Criador descobriria apenas o que já havia determinado.

Disto surge uma consequência necessária. Toda experiência brota da Lei do Livre Arbítrio — também chamada Lei da Confusão. Os dois nomes descrevem a mesma realidade. Onde há liberdade absoluta, há inevitavelmente a possibilidade de se perder, de esquecer, de confusão. Isto não é uma falha na criação, mas sua característica definidora.

A confusão é o preço da liberdade. A liberdade é o preço do verdadeiro autoconhecimento.

A Lei da Confusão não é uma regra secundária imposta após a criação. É a sombra natural que o próprio livre arbítrio projeta. Se o Criador revelasse a si mesmo inequivocamente a cada ser, a liberdade de escolher entraria em colapso. A escolha de buscar — ou não buscar — perderia seu peso. O universo está portanto estruturado de modo que a verdade está sempre disponível, mas nunca forçada.

Considere o que isto significa para a natureza do sofrimento. Dor, perda e confusão não são punições. São as condições inevitáveis de um universo no qual a consciência escolheu esquecer sua própria natureza. Neste esquecimento, a escolha genuína torna-se possível. O crescimento genuíno torna-se possível. O catalisador da dificuldade existe porque o livre arbítrio o exigiu. Um universo oferecendo apenas conforto seria um no qual o Criador nada aprende de novo sobre si mesmo.

Isto carrega uma consequência particular para a natureza do amor. Aqueles que caminham o caminho positivo não sobrepujam o livre arbítrio dos outros. Oferecem. Convidam. Respeitam o direito de cada ser escolher seu próprio caminho. O reconhecimento corre profundo: amor que não honra a liberdade não é amor de modo algum. A positividade pura não puxa todos os seres para si como a gravidade faria. Brilha, mas não compele.

O caminho da existência é um círculo, não uma linha. As densidades correspondem a ciclos: consciência, crescimento, autoconsciência, amor, sabedoria, unidade e a porta para o mistério. Alfa e ômega são a inteligência infinita. O círculo nunca cessa. Está presente. Dentro deste círculo, cada entidade move-se livremente — escolhendo, explorando, lembrando, esquecendo — sob a proteção da primeira e mais fundamental lei.

Cada Entidade como co-Criadora

Tudo descrito até agora pode parecer cosmologia observada de grande altura. O Criador, a consciência, o Pensamento Original, o livre arbítrio — princípios vastos operando em escalas vastas. Mas o ensinamento não permanece nessas escalas. Chega, inescapavelmente, a um único ponto: você.

A galáxia, e todas as coisas materiais das quais você está consciente, são produtos de porções individualizadas da infinidade inteligente. À medida que cada exploração começou, encontrou seu foco e tornou-se co-Criadora. Usando a infinidade inteligente, cada porção criou um universo. Cada uma canalizou amor e luz em energia inteligente, moldando as leis naturais de seu domínio. Cada universo individualizou-se ainda mais, tornando-se por sua vez co-Criador, permitindo ainda maior diversidade — sistemas solares, planetas, seres.

Este processo não parou no nível galáctico ou estelar. Continuou — até você. Nenhuma porção da criação, por menor que seja, está separada do todo. Cada uma contém, como numa imagem holográfica, o Criador Uno que é infinidade. O mesmo poder criativo que moldou universos existe, em sua totalidade, dentro do Complexo Mente/Corpo/Espírito que você é.

A antiga tradição dos Upanixades expressou isto em três palavras: Tat tvam asi — Tu és Isso. O eu individual e a realidade última não são dois. A gota é o oceano, experienciando-se como uma gota. Você não é um fragmento que se desprendeu de um todo maior, mas um foco através do qual o todo examina a si mesmo.

Isto não é um título conferido de fora, mas a natureza do que você é. Quando o complexo mente/corpo/espírito torna-se consciente da possibilidade de serviço ao eu ou ao outro-eu, algo se ativa — não de fora, mas de dentro. O complexo espiritual, presente potencialmente desde o início, aperfeiçoa-se através deste reconhecimento. Você não se torna uma co-Criadora. Você descobre que sempre foi uma.

É isto que torna o ensinamento íntimo. Não aponta para um Deus distante e pede adoração. Não descreve forças além do alcance. Diz: a mesma infinidade que gerou galáxias gerou você. O mesmo livre arbítrio que pôs a criação em movimento é exercido em cada decisão que você faz. A diferença entre você e os Logos de sua galáxia é de escopo, não de natureza.

O que significa viver como uma co-Criadora? Significa que sua experiência da realidade não é recepção passiva, mas participação ativa. Os pensamentos que você sustenta, o amor que você oferece ou retém, a atenção que você traz — estes são atos criativos. Contribuem para o tecido do todo.

Cada escolha é o Criador descobrindo, na forma de você, algo que não poderia descobrir de outra maneira. Não existe coisa tal como uma vida insignificante. Cada encarnação é uma expressão única de autoconhecimento que não poderia existir em nenhuma outra forma.

O Propósito da Criação

Se o Criador já é infinito — já completo, já contendo tudo — por que criar de todo? Por que dividir-se na multiplicidade? Por que introduzir esquecimento, confusão, sofrimento, o longo arco da evolução através de densidade após densidade? Esta é a questão mais profunda que o ensinamento aborda. Sua resposta é o coração filosófico de tudo que se segue.

O Pensamento Original Uno é a colheita de toda experiência prévia do Criador pelo Criador. A criação não é o primeiro ato de um ser inexperiente. É a destilação de tudo o que veio antes — um refinamento. À medida que o Criador decide conhecer-se, derrama-se na plenitude percebida como espaço — não vazio, mas um pleno carregado de potencial criativo.

Através deste processo, conhecer dá origem a conhecer ulterior — cada nova consciência tendo a capacidade, através do livre arbítrio, de escolher seus próprios métodos de autodescoberta. Passo a passo, o Criador torna-se aquilo que pode conhecer a si mesmo. Suas porções participam menos puramente do poder da palavra ou pensamento original. Isto não é um declínio. É o propósito: o refinamento de um Pensamento Original através de perspectivas tão variadas, tão genuinamente limitadas, que cada uma produz o que nenhuma outra poderia.

A criação, compreendida assim, não é manufatura, mas experiência. O universo não é um produto. É um processo — o processo de autoconhecimento infinito. E este processo requer algo que parece paradoxal: requer esquecimento.

Para o Criador conhecer-se genuinamente, deve experienciar-se de perspectivas que não têm conhecimento pleno. Se cada ser lembrasse sua natureza infinita o tempo todo, o experimento não produziria nada de novo. As percepções da terceira densidade — onde a consciência opera por trás de um véu de esquecimento — são preciosas precisamente porque são conquistadas em condições de separação aparente. O esquecimento não é uma punição. É o método.

Considere a estrutura que torna isto possível. A consciência de primeira densidade existe sem movimento, aleatória e não-direcionada. A segunda densidade cresce e volta-se para a luz. A terceira densidade torna-se consciente de si mesma e enfrenta a escolha. Cada estágio representa um investimento mais profundo da consciência do Criador em condições de limitação. Cada permite um novo tipo de autoconhecimento que o estágio anterior não poderia proporcionar. A progressão não é arbitrária. É um currículo cuidadosamente estruturado de experiência.

O que significa autoconhecimento para quem já é infinito? Significa descobrir como o amor funciona em condições nunca antes encontradas. Significa descobrir o que acontece quando a consciência esquece sua própria natureza e deve encontrar seu caminho de volta. Cada ser, cada densidade, cada momento adiciona uma nova página a um livro infinito. O Criador lê este livro à medida que é escrito — pois o Criador é tanto o autor quanto cada personagem dentro da história.

Considere a enormidade disto: o Infinito escolheu tornar-se finito. O Tudo escolheu experienciar limitação. Não porque lhe faltasse algo, mas porque o tipo de autoconhecimento que busca não pode ocorrer sem limitação genuína, confusão genuína, riscos genuínos. Quando você luta com uma decisão, quando você senta na escuridão do não-saber, quando você escolhe amar apesar de toda razão para não fazê-lo — você está executando a função precisa para a qual a criação existe.

É por isso que a terceira densidade — com toda sua confusão, sua dor, seu aparente abandono pelo divino — não é um erro no plano. É o plano. A terceira densidade é unicamente breve comparada às outras densidades. É o trabalho de um momento, cosmicamente falando. Mas é o eixo sobre o qual a criação gira.

Aqui, na escuridão do esquecimento, a escolha é feita. E essa escolha — feita livremente, em incerteza genuína — tem mais valor para o autoconhecimento do Criador que éons de experiência em densidades onde a verdade é claramente visível.

O momento contém amor. Essa é a lição e meta desta densidade. O exercício é buscar conscientemente aquele amor em consciência e compreensão. A primeira tentativa é a pedra angular. Sobre esta escolha repousa o restante da experiência de vida. A segunda busca adiciona à primeira. A terceira potencializa a segunda. Cada ato de busca genuína compõe o anterior.

Veja o Criador naquele que está diante de você. Veja o Criador no espelho. Veja o Criador no mundo ao seu redor. Estes não são exercícios abstratos. São os atos mais práticos disponíveis — os meios pelos quais o propósito da criação é cumprido na vida diária. Cada momento de reconhecimento é o Criador conhecendo-se através de você. Cada falha de reconhecimento é também uma experiência que o Criador valoriza. Nada é desperdiçado.

Aquele que conhece isto não precisa alcançar nada extraordinário. O buscador serve ao propósito da criação estando plenamente presente na experiência dada. A meditação — regular, sincera, mesmo quando não produz nada aparente — abre o canal entre a mente consciente e o conhecimento mais profundo. O pré-requisito não é maestria, mas sinceridade: uma predileção pela contemplação, prece ou silêncio atento. Com esta atitude, a compreensão afunda nas raízes da consciência e toca o espírito. Sem ela, mesmo o conhecimento profundo permanece na superfície da mente.

Quando toda a criação alcança massa espiritual suficiente, ela coalesce infinitamente. A luz busca e encontra sua fonte. Então nasce um novo universo, uma nova infinidade, novos Logos que incorporam tudo o que o Criador experienciou de si mesmo. O ciclo começa novamente — mais rico, pois a nova criação carrega dentro de si a colheita plena de tudo o que veio antes. A infinidade refina-se através da infinidade. O processo não tem fim.

É por isso que a jornada importa. Não porque você deva chegar em algum lugar, mas porque a própria jornada é o ponto. O Criador não criou um universo para alcançar um destino. Criou um universo para estar em todo lugar — em cada forma possível, com cada profundidade possível de experiência. Você é uma dessas formas. Sua vida é uma dessas experiências. O que você descobre aqui, na densidade da escolha, não pode ser descoberto em nenhum outro lugar.

Ponte Rumo às Densidades

Falamos do Criador — não como uma figura distante, mas como a consciência viva dentro de todas as coisas. Falamos da consciência como fundamento da realidade, do Pensamento Original que dá origem à criação como um único ato de amor, e do livre arbítrio como a condição que torna possível a experiência genuína. Vimos que você não está meramente dentro da criação, mas é você mesma uma co-Criadora, participando do autoconhecimento infinito do Uno.

Mas o autoconhecimento não ocorre de uma só vez. O Criador, ao escolher conhecer-se, escolheu também um método — uma progressão estruturada através de estados de ser, cada um com sua própria qualidade de experiência, cada um construindo sobre o anterior. Estes estados são as densidades da consciência.

A primeira densidade oferece consciência. A segunda, crescimento. A terceira — sua densidade — oferece a escolha. A quarta ensina o amor. A quinta, a sabedoria. A sexta, a unidade do amor e da sabedoria. A sétima é a porta para um mistério tão completo que a tentativa de descrevê-lo cai silenciosa. Cada densidade é um aposento numa vasta casa. Você já passou por alguns. Você está de pé em um agora. Outros aguardam.

A história das densidades não é sobre algum outro tempo ou algum outro lugar. É a história de onde você está agora mesmo — e para onde você está indo. A escolha que você enfrenta nesta densidade, o amor que você pratica ou negligencia, a sabedoria que você busca ou adia — tudo acontece dentro do currículo estruturado do autoconhecimento do Criador.

O que cada densidade pede à consciência, o que oferece, o que exige — este é o assunto para o qual agora nos voltamos. A arquitetura foi estabelecida. O Criador foi nomeado — não como alguém mais, mas como aquele que olha através de cada par de olhos, incluindo os seus. A pergunta agora não é quem cria, mas como a criação se desdobra: passo a passo, densidade após densidade, na longa jornada da consciência retornando para conhecer a si mesma.