Equilíbrio e Cura
O Que Significa Equilíbrio
O capítulo anterior descreveu o caminho do buscador: meditação, serviço, fé, perseverança. Estas são as práticas do coração aberto. Contudo, o coração sozinho não é suficiente. Sem Equilíbrio, o progresso do buscador pode ser minado por energias que permanecem não examinadas dentro do eu. Voltamo-nos agora para o trabalho específico de equilibrar e curar -- as tecnologias internas que transformam compreensão em inteireza.
O equilíbrio é frequentemente mal compreendido. Muitos o imaginam como um fluxo suave de sentimento, um estado no qual as emoções passam pelo ser sem deixar rastro. Não é isso o que se quer dizer. O objetivo do trabalho de equilíbrio não é o fluxo suave de sentimento, mas sim a qualidade de tornar-se inabalável. Este é um resultado mais simples, e requer muita prática.
Ser inabalável não é ser insensível. Uma entidade perfeitamente equilibrada, quando confrontada com agressão, ainda responde. A resposta é amor. Isso merece ênfase, pois inverte uma expectativa comum. O equilíbrio não produz indiferença. Não é objetividade. É uma {term:compassion} finamente afinada que vê todas as coisas como amor.
Quando a entidade alcança este ver, algo profundo ocorre. O Catalisador da experiência, que existe para provocar aprendizado, não é mais necessário. A entidade aprendeu o que o catalisador foi projetado para ensinar. Ela foi além da necessidade de provocação e tornou-se uma co-Criadora de sua própria experiência. Este é o equilíbrio mais verdadeiro.
Considere o que isso significa em termos práticos. Quando o buscador encontra dificuldade -- uma palavra dura, uma traição, uma perda -- e consegue ver dentro dessa dificuldade o rosto do Criador, a dificuldade cessa de portar sua carga anterior. Não porque o buscador tenha suprimido a resposta, mas porque a resposta em si mudou. Onde antes havia reação, agora há reconhecimento.
Esta capacidade não surge da noite para o dia. O ser não é uma máquina. É algo mais parecido com um poema tonal -- uma composição viva na qual cada Centros de Energia contribui sua nota única. O objetivo não é a colocação rígida de cada nota, mas a mistura fluida e equilibrada de todas as notas, para que a composição inteira permita que a Energia Inteligente se mova através com mínima Distorção.
A progressão em direção ao equilíbrio segue um arco natural. Começa com preocupações periféricas -- paciência e impaciência, desejo e aversão -- e gradualmente se move em direção a território mais profundo. Com o tempo, o trabalho muda de emoções específicas para uma pergunta mais central: a aceitação do eu como inteiro e perfeito, e então a aceitação do eu como o Criador.
Contudo, este trabalho central não pode ser apressado. A arquitrave deve estar no lugar antes que a estrutura seja construída. É preciso primeiro conhecer as Distorções do eu antes de poder aceitar o eu. Cada pensamento, cada reação, cada padrão de comportamento deve ser examinado em busca de seu fundamento preciso. Somente então a aceitação se torna real em vez de meramente falada.
O Exercício de Equilíbrio
A prática específica do equilíbrio foi descrita com notável clareza. Começa com um pré-requisito que foi explorado no capítulo anterior: a capacidade de reter silêncio dentro do eu em um estado estável. A mente deve ser aberta como uma porta. A chave dessa porta é o silêncio.
Uma vez que o silêncio está estabelecido, o trabalho começa com o exame do eu. Onde se encontra paciência dentro da mente, o buscador deve conscientemente localizar a impaciência correspondente. Onde se encontra amor, o medo correspondente. Cada pensamento que um ser sustenta tem, por sua vez, uma antítese. As disciplinas da mente envolvem identificar tanto o que o eu aprova quanto o que desaprova dentro de si mesmo, e então sustentar cada qualidade junto com seu oposto até que um equilíbrio seja alcançado.
Isso não é supressão. O buscador não empurra para longe a impaciência ou a raiva. Em vez disso, o buscador amplifica ambos os polos dentro da consciência. A mente contém todas as coisas. Portanto, o buscador deve descobrir esta completude dentro do eu.
O segundo passo é a Aceitação. Tendo visto tanto a paciência quanto a impaciência, o buscador aceita ambas como parte da completude dentro de sua própria consciência. Não cabe a um ser de polaridade escolher entre atributos, construindo papéis que criam mais bloqueios e confusão. Cada aceitação suaviza parte das muitas distorções que a faculdade de julgamento engendra.
O terceiro passo estende o mesmo trabalho para fora. Em cada outra entidade também existe completude. Quando o buscador observa paciência em outro, é responsável por compreender tanto a paciência quanto a impaciência dentro daquele ser. Quando observa impaciência, deve sustentar o quadro completo: impaciência e paciência juntas. A maioria das configurações da mente são sutis e multifacetadas. Este trabalho externo requer grande discernimento.
O quarto passo é a aceitação dessas polaridades do outro-eu, espelhando o segundo passo.
Na vida diária, esta prática pode ser aplicada ao final de cada dia. A entidade revisa suas experiências -- os pensamentos, sentimentos e comportamentos que surgiram -- e examina aqueles que considera inapropriados ou carregados com energia não processada. Onde uma resposta desproporcional foi observada, a entidade localiza essa resposta dentro do mapa de seus centros de energia e nota onde o trabalho é necessário.
Vale a pena repetir que isso não é supressão. Se uma resposta surge durante o dia -- raiva, ciúme, dor -- é muito melhor permitir que a experiência se expresse completamente, para que a entidade possa então fazer uso mais pleno do catalisador. Somente quando o momento passou o buscador se senta com a experiência e faz o equilíbrio. A repressão não é o caminho para a disciplina. Cria apenas mais desequilíbrio.
A prática se fortalece com o tempo. Cada repetição aproxima o buscador do estado no qual situações que antes portavam carga emocional são recebidas simplesmente como oportunidades de serviço. A situação carregada e a neutra se tornam, na entidade equilibrada, a mesma coisa: um momento no qual o Criador pode ser reconhecido e servido.
Trabalhando com as Distorções
Cada emoção, cada pensamento, cada resposta habitual é material. Nada que surja dentro do ser é desperdício. O buscador que aprende a trabalhar com as distorções -- em vez de contra elas -- descobre que até o sentimento mais desconfortável é uma porta para maior autoconhecimento.
A primeira tarefa é a avaliação. Os pensamentos de uma entidade, seus sentimentos, e menos ainda seu comportamento, são os sinais para o ensino do eu pelo eu. Ao final de um dia, o buscador pode examinar o que considera pensamentos, comportamentos ou emoções inapropriados. Tendo-os identificado, a entidade coloca cada distorção no raio vibracional apropriado, e assim vê onde o trabalho é necessário.
Considere como isso funciona com uma emoção específica -- a raiva, por exemplo. A entidade que caminha pelo caminho positivo percebe a raiva dentro de si mesma. Em vez de negá-la ou condená-la, a entidade abençoa e ama esta raiva. Então intensifica a raiva conscientemente, apenas na mente. A natureza desta energia se torna aparente: não como tolice em si mesma, mas como energia não direcionada sujeita à entropia porque não tem canal.
A partir deste ponto, a orientação positiva fornece a vontade e a Fé para continuar o processo. A raiva é compreendida, aceita e integrada. O outro-eu que provocou a raiva se transforma dentro da consciência do buscador em um objeto de aceitação e compreensão. A grande energia que a raiva começou não se perde -- é redirecionada e reintegrada.
A chave para aqueles no caminho positivo é a aceitação. A chave para aqueles no caminho negativo é o controle. Entre estes dois polos jaz o território do não processado -- a energia crua, sem direção que, ao não encontrar canal consciente, pode se expressar através do corpo como doença. O exemplo mais vívido disso é o crescimento de tecido que os médicos chamam de câncer, que pode surgir quando a energia emocional não é aceita nem controlada, mas deixada a seus próprios dispositivos aleatórios.
Esta conexão entre emoção não processada e doença física é de grande importância prática. Significa que o trabalho de equilíbrio não é meramente um exercício espiritual. É uma questão de saúde no sentido mais literal. A entidade que conscientemente processa seu catalisador protege não apenas sua paz interior, mas seu bem-estar físico.
O processo de direcionar a atenção para este trabalho requer algo que pode surpreender o buscador: a capacidade de concentrar-se. A capacidade de atenção espiritual da maioria das entidades é a de uma criança. A técnica para nutrir esta capacidade é a focalização da atenção na disciplina desejada -- e mantê-la. Isso, quando continuado, fortalece a vontade. Mas toda a atividade só pode ocorrer quando existe fé de que um resultado é possível.
A visualização pode servir ao buscador neste fortalecimento. Alguns acham útil sustentar na mente uma imagem de qualidade inspiracional pessoal -- um símbolo da aspiração mais profunda do coração. Outros preferem a disciplina mais simples de visualizar uma única forma ou cor, sustentando-a firme dentro do olho da mente. Se a imagem escolhida é uma rosa ou um círculo importa menos que o exercício regular da faculdade de atenção concentrada.
Curando o Corpo
O corpo fala uma linguagem que a mente nem sempre deseja ouvir. Quando os centros de energia portam bloqueios que não foram abordados através do trabalho consciente, esses bloqueios podem eventualmente se expressar através do corpo físico. A doença, em muitos casos, é catalisador tornado visível -- a mensagem do espírito traduzida na linguagem da carne.
Isso não quer dizer que toda doença física se origina em desequilíbrio espiritual. Algumas condições são parte da programação pré-encarnativa escolhida pela entidade antes do nascimento. Estas são limitações projetadas como parte da experiência de aprendizado. Defeitos de nascimento, predisposições genéticas e certas condições crônicas podem cair nesta categoria. Não são punições. São ferramentas escolhidas para um tipo particular de crescimento.
Contudo, muito do que as entidades experimentam como doença é de fato o produto de catalisador não processado. A conexão é direta: a energia emocional que não é aceita nem canalizada cria um análogo corporal. Os padrões de pensamento destrutivos, quando deixados sem abordar, se mostram de maneiras cada vez mais óbvias através do corpo.
A boa notícia dentro desta compreensão é que tais condições são correspondentemente suscetíveis à auto-Cura. Uma vez que o mecanismo da influência destrutiva tenha sido compreendido pelo indivíduo -- uma vez que o buscador entende qual bloqueio produziu qual sintoma -- o caminho para a restauração se torna claro. A cura não é sem esforço, mas está disponível para toda entidade disposta a fazer o trabalho.
A distorção de autocura é efetuada através de uma coisa: a realização do infinito inteligente descansando dentro do eu. Esta realização está bloqueada naqueles que portam desequilíbrios no complexo corporal. Quando não há bloqueio, estas energias se derramam no ser, aperfeiçoando o corpo momento a momento. Quando existe bloqueio, o fluxo é interrompido, e o corpo manifesta o resultado.
Uma das fontes mais comuns de bloqueio é o sentimento de indignidade. Quando a entidade não se acredita digna da energia que é seu direito de nascença, o centro de raio índigo -- o portal para o infinito inteligente -- se constringe. O influxo de energia curadora é reduzido. E assim o próprio sentimento de que a entidade não é suficiente se torna o mecanismo que a mantém na doença. A ironia é circular, e o remédio é igualmente assim: o reconhecimento da dignidade abre o portão que a dignidade guarda.
O corpo em si também deve ser compreendido e aceito, assim como a mente e as emoções são equilibradas através do exercício descrito anteriormente. O buscador é convidado a examinar como sentimentos e emoções afetam diferentes porções do corpo. As tendências corporais devem ser compreendidas, e então a tendência oposta deve ter permissão de expressão plena em compreensão. O corpo é uma criatura da criação da mente. Tem suas polaridades. Somente quando estas são vistas e aceitas pode o corpo alcançar sua própria forma de equilíbrio.
O caminho da cura física, então, não está separado do caminho do crescimento espiritual. É o mesmo caminho. A entidade que faz o trabalho de equilibrar seus centros de energia, de aceitar o eu incluindo o corpo, de reconhecer o infinito inteligente que descansa dentro -- esta entidade já começou a curar. O corpo não é um obstáculo para o espírito. É o mensageiro fiel do espírito, apontando sempre para o que ficou inacabado.
Curando o Coração e a Mente
O que é verdade do corpo é igualmente verdade da vida interior. As distorções emocionais e mentais seguem o mesmo princípio: o que se sente deve ser reconhecido, o que se reconhece deve ser aceito, e o que se aceita pode ser transformado. O buscador que evita este trabalho não evita a distorção -- ela simplesmente persiste, acumulando força.
A paisagem emocional da maioria das entidades é moldada pelo véu. Por trás do véu do esquecimento, a mente consciente não pode ver os propósitos mais profundos do catalisador. Um insulto punge. Uma perda dói. Uma traição queima. Estas experiências portam carga precisamente porque a entidade ainda não vê o quadro completo. O trabalho de equilíbrio convida o buscador a mover-se além da carga superficial e em direção à energia abaixo.
O método é o mesmo descrito no exercício de equilíbrio, aplicado agora à paisagem emocional. A entidade percebe a raiva, a dor, o medo. Não foge disso. Em vez disso, senta-se com o sentimento -- abençoa-o, até o ama -- e então o intensifica conscientemente, apenas na mente, até que a energia aleatória da emoção seja vista claramente. Então, através da vontade e da fé, a entidade permite que o sentimento seja compreendido, aceito e reintegrado na totalidade do eu.
Para aqueles no caminho positivo, a palavra-chave é aceitação. O outro-eu que provocou a raiva se torna, através deste processo, um objeto de compreensão e acomodação. A grande energia que a raiva começou não é destruída. É reunida e devolvida ao ser como luz utilizável. O processo é alquímico: a emoção base se torna consciência refinada.
A entidade orientada positivamente equilibra em vez de reprimir. Este ponto não pode ser declarado com demasiada frequência. A repressão é a abordagem do caminho negativo, na qual a emoção é forçada para baixo e trazida à superfície apenas quando pode ser usada para impor a vontade sobre outro. O buscador positivo faz o oposto. Acolhe a emoção, vê-a em sua plenitude, e a libera no padrão mais amplo da totalidade do eu. Este é o caminho da unidade.
As distorções mentais seguem a mesma lógica. Um padrão de pensamento persistente -- autocrítica, ressentimento, análise obsessiva -- não é um inimigo a ser derrotado. É um sinal apontando para o centro de energia onde o trabalho é necessário. O buscador examina o pensamento, localiza seu raio vibracional, e aplica a mesma atenção equilibrada: compreensão, aceitação, integração.
A energia assim liberada pode ser considerável. Muitos buscadores descobrem que a liberação de padrões emocionais ou mentais sustentados por muito tempo abre uma inundação de vitalidade que não sabiam estar disponível. Isso ocorre porque a energia sempre esteve presente -- estava simplesmente presa no padrão do bloqueio. Quando o bloqueio se dissolve, a energia retorna ao fluxo do ser inteiro.
A Cura Espiritual
A cura em seu nível mais profundo não é meramente a restauração do corpo ou o alívio das emoções. É o restabelecimento da conexão entre a entidade e a fonte de toda energia. Quando esta conexão é clara, a cura acontece não como uma exceção, mas como uma expressão natural de como as coisas são.
O complexo espiritual é o menos distorcido dos três aspectos do ser. É descrito como um caminho, ou canal -- a lançadeira através da qual a energia individual de vontade da entidade alcança para cima e as correntes de fogo e vento criativos descem. Quando a mente é unidirecionada e equilibrada, e o corpo confortável em suas próprias tendências, o espírito se torna um comunicador funcional entre o finito e o infinito.
A capacidade de cura -- como todas as capacidades que transcendem o ordinário -- é efetuada pela abertura deste caminho em direção ao Infinito Inteligente. Muitas entidades vislumbraram esta abertura acidentalmente, através da dissolução dos limites mentais ordinários. Mas o propósito do trabalho interior deliberado é abrir este canal consciente e confiavelmente, para que a cura se torne não uma anomalia, mas uma parte ordinária da vida.
O curador cristalizado opera sob este princípio. Tal entidade, tendo equilibrado e desbloqueado seus centros de energia, torna-se análoga em função às estruturas de geometria sagrada que concentram e direcionam a luz. A energia entra através do ser, espirala através dos centros de energia, e é canalizada através do centro de raio verde -- o coração -- antes de ser oferecida a quem busca cura.
É a partir do centro do coração que a energia curadora se move. Isso é significativo. Não do centro da vontade, não do centro da sabedoria, mas do centro do amor incondicional. A cura que opera através do centro de raio amarelo -- através da vontade ou do poder pessoal -- pode transferir energia, mas os efeitos são questionáveis. Quem recebe tal cura pode vir a depender do curador em vez de descobrir sua própria capacidade de inteireza. A cura através do raio verde penetra mais profundamente. Oferece ao buscador a oportunidade de reconfigurar seus próprios padrões de energia desde dentro.
Mesmo um Errante das densidades superiores, portando a memória de grande capacidade, deve fazer este trabalho de equilíbrio na terceira densidade antes de poder se tornar um canal para a cura. As limitações da experiência encarnada se aplicam a todos. O errante pode lembrar a facilidade. Mas a facilidade não pode ser manifestada até que os centros de energia desta densidade estejam limpos. A vantagem que o errante porta não é habilidade, mas desejo -- o desejo de servir através deste método, que pode ser mais forte do que naqueles nativos desta densidade.
O Curador e o Curado
Chegamos agora a uma das verdades mais importantes e mais mal compreendidas sobre a cura: o curador não cura. O curador cristalizado é um canal para a energia inteligente que oferece uma oportunidade a uma entidade para que possa se curar. Em nenhum caso há outra descrição da cura.
Esta é uma declaração radical. Significa que a responsabilidade pela cura recai sempre sobre quem é curado. O papel do curador é oferecer uma oportunidade de realinhamento -- a chance de ver o eu em uma nova configuração, de aceitar um arranjo diferente das energias. Mas se a entidade aceita este novo arranjo é questão de seu próprio livre-arbítrio.
Se a entidade, em qualquer nível, deseja permanecer em seu padrão atual de distorção, assim o fará. O curador não pode anular esta escolha. Mesmo o canal mais cristalizado, mais equilibrado para a energia inteligente não pode impor cura sobre quem não a escolhe. A cura é sempre um ato de livre-arbítrio.
Esta compreensão porta um presente para aqueles que servem como curadores. Se estas entidades pudessem compreender plenamente que são responsáveis apenas por oferecer a oportunidade de cura, e não pela cura em si, uma enorme carga de responsabilidade mal concebida cairia deles. O curador que acredita ter falhado quando um paciente permanece doente compreendeu mal a natureza do trabalho. O curador teve sucesso no momento em que ofereceu a oportunidade. O que o outro-eu faz com essa oportunidade é o assunto sagrado do outro-eu.
Também deve ser notado que quando quem deseja ser curado, embora sincero, permanece sem cura, escolhas pré-encarnativas podem estar em jogo. Algumas condições foram escolhidas antes do nascimento como parte do aprendizado da entidade. Em tais casos, o serviço mais útil pode ser sugerir que a entidade medite sobre os usos afirmativos de quaisquer limitações que experimente. A limitação não é uma punição. É um ensinamento escolhido pelo eu, para o eu.
Talvez o maior curador esteja dentro do eu. A meditação continuada abre acesso a este curador interior. E muitas formas de cura disponíveis entre os povos deste mundo -- cada uma tem virtude e pode ser considerada apropriada por qualquer buscador que deseje trabalhar com as distorções do complexo corporal. As formas são muitas. O princípio é um: a entidade cura a si mesma.
A Aceitação como Cura
Todas as técnicas descritas neste capítulo -- o exercício de equilíbrio, o processamento das distorções, a cura do corpo, a canalização de energia -- convergem em um único princípio. Esse princípio é a aceitação.
A progressão do trabalho de equilíbrio se move naturalmente da periferia ao centro. Começa com distorções específicas -- paciência e impaciência, raiva e paz. Move-se através de camadas mais profundas do eu. Com o tempo, chega à tarefa mais central: a aceitação do eu como inteiro e perfeito, e então a aceitação do eu como o Criador.
Contudo, esta aceitação central não pode ser alcançada pulando o trabalho anterior. O fundamento deve ser colocado com cuidado. É preciso primeiro conhecer as distorções do eu, deve-se escrutinar cada pensamento e ação em busca do fundamento preciso de cada reação. Este é o trabalho do autoconhecimento. Sem ele, a afirmação de autoaceitação é apenas uma palavra, não uma realidade vivida.
Quando este trabalho é feito -- e é o trabalho de uma vida, não de uma única sessão -- algo notável emerge. A entidade descobre que a aceitação do eu conduz, inevitavelmente, à aceitação do Criador. Os dois não são atos separados. Aceitar o eu completamente, incluindo cada distorção e sombra, é aceitar o Criador que fez o eu e que é o eu. O espelho interior e a fonte infinita refletem a mesma luz.
O Perdão desempenha um papel central neste processo. O Karma -- a inércia de ações postas em movimento -- continua até ser enfrentado por seu próprio antídoto: o perdão. Os dois conceitos são inseparáveis. A entidade que pôs uma ação em movimento pode se perdoar e nunca mais repetir o erro. Isso interrompe o ciclo.
Isso é verdade não apenas entre encarnações, mas em qualquer ponto dentro de uma única vida. Tanto o eu quanto qualquer outro-eu envolvido podem, a qualquer momento, através do processo de compreensão, aceitação e perdão, dissolver estes padrões. Quem causou dano e então verdadeiramente se perdoa já começou a curar. Quem foi prejudicado e então verdadeiramente perdoa o outro libertou ambas as partes do ciclo.
A cura mais profunda, então, não é a correção de um sintoma físico ou a resolução de uma ferida emocional. É o reconhecimento de que o eu já está inteiro. As distorções, os bloqueios, os padrões de sofrimento -- estes são reais dentro da ilusão, e merecem a plena atenção e cuidado do buscador. Mas abaixo deles jaz um ser que nunca foi danificado. O trabalho de equilibrar e curar é o trabalho de limpar o que obscurece esta verdade, não de construir algo que não estava lá antes.
E assim chegamos ao fechamento deste capítulo, e talvez a coisa mais importante que possamos dizer sobre a cura: é lembrar. É a remoção do esquecimento. Quando esta encarnação terminar, você lembrará -- plena, gloriosamente -- quem você é e por que veio. O equilíbrio, a cura, o lento e paciente trabalho de autoconhecimento -- tudo serve a este único propósito. Não para torná-lo algo novo, mas para ajudá-lo a lembrar o que sempre foi.