Capítulo Quinze
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Equilíbrio e Cura

O Que Significa Equilíbrio

O capítulo anterior descreveu o caminho do buscador: meditação, serviço, fé, perseverança. Estas são as práticas do coração aberto. Contudo, o coração sozinho não é suficiente. Sem Equilíbrio, o progresso do buscador pode ser minado por energias que permanecem não examinadas dentro do eu. Voltamo-nos agora para o trabalho específico de equilibrar e curar -- as tecnologias internas que transformam compreensão em inteireza.

O equilíbrio é frequentemente mal compreendido. Muitos o imaginam como um fluxo suave de sentimento, um estado no qual as emoções passam pelo ser sem deixar rastro. Não é isso o que se quer dizer. O objetivo do trabalho de equilíbrio não é o fluxo suave de sentimento, mas sim a qualidade de tornar-se inabalável. Este é um resultado mais simples, e requer muita prática.

Ser inabalável não é ser insensível. Uma entidade perfeitamente equilibrada, quando confrontada com agressão, ainda responde. A resposta é amor. Isso merece ênfase, pois inverte uma expectativa comum. O equilíbrio não produz indiferença. Não é objetividade. É uma Compaixão finamente afinada que vê todas as coisas como amor.

Quando a entidade alcança este ver, algo profundo ocorre. Até então, mesmo uma resposta apenas observada ainda é um uso do Catalisador da experiência, que existe para provocar aprendizado. O resultado final desse uso é que o catalisador deixa de ser necessário. Ver todas as coisas como amor não suscita resposta das reações catalíticas, e assim a entidade se torna capaz de ser uma co-Criadora dos acontecimentos de sua experiência. Este é o equilíbrio mais verdadeiro.

Considere o que isso significa em termos práticos. Quando o buscador encontra dificuldade -- uma palavra dura, uma traição, uma perda -- e consegue ver dentro dessa dificuldade o rosto do Criador, a dificuldade cessa de portar sua carga anterior. Não porque o buscador tenha suprimido a resposta, mas porque a resposta em si mudou. Onde antes havia reação, agora há reconhecimento.

Esta capacidade não surge da noite para o dia. O ser não é uma máquina. É algo mais parecido com um poema tonal -- uma composição viva na qual cada Centros de Energia contribui sua nota única. O objetivo não é a colocação rígida de cada nota, mas a mistura fluida e equilibrada de todas as notas, para que a composição inteira permita que a Energia Inteligente se mova através com mínima Distorção.

O trabalho de equilíbrio tem uma ordem. O cerne desta disciplina é triplo: conhecer o eu, aceitar o eu e tornar-se o Criador. O trabalho avança gradualmente do exame de pensamentos e reações específicos em direção a esta aceitação central, e cada passo prepara o seguinte.

Contudo, este trabalho central não pode ser apressado. A arquitrave deve estar no lugar antes que a estrutura seja construída. É preciso primeiro conhecer as Distorçãos do eu antes de poder aceitar o eu. Cada pensamento, cada reação, cada padrão de comportamento deve ser examinado em busca de seu fundamento preciso. Somente então a aceitação se torna real em vez de meramente falada.

O Exercício de Equilíbrio

A prática específica do equilíbrio foi descrita com notável clareza. Começa com um pré-requisito explorado no capítulo anterior: a capacidade de manter o silêncio dentro do eu em um estado estável. A paisagem interior deve se aquietar e tornar-se receptiva.

Uma vez estabelecido o silêncio, o trabalho começa com o exame do eu. Onde se encontra paciência dentro da mente, o buscador deve localizar conscientemente a impaciência correspondente. Cada pensamento que um ser sustenta tem, por sua vez, uma antítese. As disciplinas da mente envolvem identificar tanto o que o eu aprova quanto o que desaprova dentro de si mesmo, e então sustentar cada qualidade junto com seu oposto até que se alcance um equilíbrio.

Isso não é supressão. O buscador não empurra para longe a impaciência ou a raiva. Em vez disso, o buscador reconhece ambas e equilibra cada carga com sua igual. A mente contém todas as coisas. Portanto, o buscador deve descobrir esta completude dentro do eu.

O segundo passo é a Aceitação. Tendo visto tanto a paciência quanto a impaciência, o buscador aceita ambas como parte da completude dentro de sua própria consciência. Não cabe a um ser de polaridade escolher entre atributos, construindo papéis que criam mais bloqueios e confusão. Cada aceitação suaviza parte das muitas distorções que a faculdade de julgamento engendra.

O terceiro passo estende o mesmo trabalho para fora. Em cada outra entidade também existe completude. Quando o buscador observa paciência em outro, é responsável por compreender tanto a paciência quanto a impaciência dentro daquele ser. Quando observa impaciência, deve sustentar o quadro completo: impaciência e paciência juntas. A maioria das configurações da mente são sutis e multifacetadas. Este trabalho externo requer grande discernimento.

O quarto passo é a aceitação dessas polaridades do outro-eu, espelhando o segundo passo.

Na vida diária, esta prática pode ser aplicada ao final de cada dia. A entidade revisa suas experiências -- os pensamentos, sentimentos e comportamentos que surgiram -- e examina aqueles que considera inapropriados ou carregados com energia não processada. Onde uma resposta desproporcional foi observada, a entidade localiza essa resposta dentro do mapa de seus centros de energia e nota onde o trabalho é necessário.

Vale a pena repetir que isso não é supressão. Se uma resposta surge durante o dia (raiva, ciúme, dor), não se recomenda reprimi-la nem suprimi-la, a menos que a reação fosse um obstáculo para um outro-eu, em desacordo com a Lei do Um. É muito melhor permitir que a experiência se expresse, para que a entidade possa então fazer uso mais pleno do catalisador. Depois, o buscador pode sentar-se com a experiência e fazer o equilíbrio. A repressão pode parecer um atalho para a disciplina, mas apenas exige mais experiência para equilibrá-la.

A prática se fortalece com o tempo. Cada repetição aproxima o buscador do estado no qual situações que antes portavam carga emocional são recebidas simplesmente como oportunidades de serviço. A situação carregada e a neutra se tornam, na entidade equilibrada, a mesma coisa: um momento no qual o Criador pode ser reconhecido e servido.

Trabalhando com as Distorções

Cada emoção, cada pensamento, cada resposta habitual é material. Nada que surja dentro do ser é desperdício. O buscador que aprende a trabalhar com as distorções -- em vez de contra elas -- descobre que até o sentimento mais desconfortável é uma porta para maior autoconhecimento.

A primeira tarefa é a avaliação. Os pensamentos de uma entidade, seus sentimentos, e menos ainda seu comportamento, são os sinais para o ensino do eu pelo eu. Ao final de um dia, o buscador pode examinar o que considera pensamentos, comportamentos ou emoções inapropriados. Tendo-os identificado, a entidade coloca cada distorção no raio vibracional apropriado, e assim vê onde o trabalho é necessário.

Considere como isso funciona com uma emoção específica -- a raiva, por exemplo. A entidade que caminha pelo caminho positivo percebe a raiva dentro de si mesma. Em vez de negá-la ou condená-la, a entidade abençoa e ama esta raiva. Então intensifica a raiva conscientemente, apenas na mente. A natureza desta energia se torna aparente: não como tolice em si mesma, mas como energia não direcionada sujeita à entropia porque não tem canal.

A partir deste ponto, a orientação positiva fornece a vontade e a Fé para continuar o processo. A raiva é compreendida, aceita e integrada. O outro-eu que provocou a raiva se transforma dentro da consciência do buscador em um objeto de aceitação e compreensão. A grande energia que a raiva começou não se perde -- é redirecionada e reintegrada.

A chave para aqueles no caminho positivo é a aceitação. A chave para aqueles no caminho negativo é o controle. Entre estes dois polos jaz o território do não processado -- a energia crua, sem direção que, ao não encontrar canal consciente, pode se expressar através do corpo como doença. O exemplo mais vívido disso é o crescimento de tecido que os médicos chamam de câncer, que pode surgir quando a energia emocional não é aceita nem controlada, mas deixada a seus próprios dispositivos aleatórios.

Esta conexão entre emoção não processada e doença física merece atenção. Significa que o trabalho de equilíbrio não é meramente um exercício espiritual. A entidade que usa conscientemente a experiência da raiva para se polarizar não experimenta o catalisador corporal, mas usa o catalisador em configuração mental.

O processo de direcionar a atenção para este trabalho requer algo que pode surpreender o buscador: a capacidade de concentrar-se. A capacidade de atenção espiritual da maioria das entidades é a de uma criança. A técnica para nutrir esta capacidade é a focalização da atenção na disciplina desejada -- e mantê-la. Isso, quando continuado, fortalece a vontade. Mas toda a atividade só pode ocorrer quando existe fé de que um resultado é possível.

A visualização pode servir ao buscador neste fortalecimento. Alguns acham útil sustentar na mente uma imagem de qualidade inspiracional pessoal -- um símbolo da aspiração mais profunda do coração. Outros preferem a disciplina mais simples de visualizar uma única forma ou cor, sustentando-a firme dentro do olho da mente. Se a imagem escolhida é uma rosa ou um círculo importa menos que o exercício regular da faculdade de atenção concentrada.

Curando o Corpo

O corpo fala uma linguagem que a mente nem sempre deseja ouvir. Quando os centros de energia portam bloqueios que não foram abordados através do trabalho consciente, esses bloqueios podem eventualmente se expressar através do corpo físico. A doença, em muitos casos, mostra onde um centro está bloqueado e pode servir como recurso de autorrevelação. O catalisador em si é inconsciente e não trabalha com inteligência.

Isso não quer dizer que toda doença física se origina em desequilíbrio espiritual. Algumas condições são parte da programação pré-encarnativa escolhida pela entidade antes do nascimento. Estas são limitações projetadas como parte da experiência de aprendizado. Defeitos de nascimento, predisposições genéticas e certas condições crônicas podem cair nesta categoria. Não são punições. São ferramentas escolhidas para um tipo particular de crescimento.

Contudo, a doença também pode ser produto de catalisador não processado. A energia emocional que não é aceita nem canalizada pode criar um análogo corporal. Os padrões de pensamento destrutivos, quando deixados sem abordar, podem se dar a conhecer através do corpo, e na quarta densidade, onde a informação é revelada, se mostram de maneiras mais óbvias.

A boa notícia dentro desta compreensão é que doenças desse tipo são muito suscetíveis à auto-Cura. Uma vez que o indivíduo tenha compreendido o mecanismo da influência destrutiva, o caminho para a restauração se torna mais claro. A cura não é sem esforço.

A distorção de autocura é efetuada através da realização do infinito inteligente que repousa dentro do eu, a qual pede consciência da natureza espiritual da realidade. Esta realização é bloqueada, de um modo que varia de entidade para entidade, naqueles que portam desequilíbrios no complexo corporal. Quando não há bloqueio, estas energias se derramam no ser, aperfeiçoando o corpo momento a momento. Quando existe bloqueio, o fluxo é interrompido, e o corpo manifesta o resultado.

A indignidade é uma de muitas distorções que podem bloquear o caminho. Quando a entidade não se acredita digna, o centro de raio índigo, o portal para o infinito inteligente, pode se constringir, e o influxo de energia curadora pode ser reduzido. A solução é uma ação que ponha em prática a compreensão pacífica, com humildade, de que a entidade é una com o Criador, portanto perfeita e não separada.

O corpo em si também deve ser compreendido e aceito, assim como a mente e as emoções são equilibradas através do exercício descrito anteriormente. O buscador é convidado a examinar como sentimentos e emoções afetam diferentes porções do corpo. As tendências corporais devem ser compreendidas, e então a tendência oposta deve ter permissão de expressão plena em compreensão. O corpo é uma criatura da criação da mente. Tem suas polaridades. Somente quando estas são vistas e aceitas pode o corpo alcançar sua própria forma de equilíbrio.

O caminho da cura física, então, não está separado do caminho do crescimento espiritual. É o mesmo caminho. Quem faz o trabalho de equilibrar seus centros de energia, de aceitar o eu incluindo o corpo, de reconhecer o infinito inteligente que repousa dentro: este eu já começou a curar. O corpo não é um obstáculo para o espírito. Na doença, pode mostrar onde há um bloqueio.

Curando o Coração e a Mente

O que é verdade do corpo é igualmente verdade da vida interior. As distorções emocionais e mentais seguem o mesmo princípio: o que se sente pode ser compreendido, aceito e integrado à totalidade do eu. O buscador que evita este trabalho não evitou, por isso, a distorção.

A paisagem emocional da maioria das entidades é moldada pelo véu. Por trás do véu do esquecimento, a mente consciente não pode ver os propósitos mais profundos do catalisador. Um insulto punge. Uma perda dói. Uma traição queima. Estas experiências portam carga precisamente porque a entidade ainda não vê o quadro completo. O trabalho de equilíbrio convida o buscador a mover-se além da carga superficial e em direção à energia abaixo.

O método foi descrito acima para a raiva, e é um exercício diferente do equilíbrio de opostos. A entidade não foge da raiva. Ela a abençoa, até a ama, e a intensifica conscientemente, apenas na mente, até que a energia seja vista com clareza como energia usada ao acaso. Então, através da vontade e da fé, a entidade permite que a raiva seja compreendida, aceita e integrada. Isto é equilibrar e não reprimir: o caminho da unidade.

Para aqueles no caminho positivo, a palavra-chave é aceitação. O outro-eu que provocou a raiva se torna, através deste processo, um objeto de compreensão e acomodação. A grande energia que a raiva começou não é destruída. É reunida e devolvida ao ser como luz utilizável. O processo é alquímico: a emoção base se torna consciência refinada.

A entidade orientada positivamente equilibra em vez de reprimir. Este ponto não pode ser declarado com demasiada frequência. A repressão é a abordagem do caminho negativo, na qual a emoção é forçada para baixo e trazida à superfície apenas quando pode ser usada para impor a vontade sobre outro. O buscador positivo faz o oposto. Acolhe a emoção, vê-a em sua plenitude, e a libera no padrão mais amplo da totalidade do eu. Este é o caminho da unidade.

As distorções mentais seguem a mesma lógica. Um padrão de pensamento persistente -- autocrítica, ressentimento, análise obsessiva -- não é um inimigo a ser derrotado. É um sinal apontando para o centro de energia onde o trabalho é necessário. O buscador examina o pensamento, localiza seu raio vibracional, e aplica a mesma atenção equilibrada: compreensão, aceitação, integração.

A energia assim liberada pode ser considerável. A energia que chega pode ser bloqueada parcial ou totalmente em qualquer um dos centros. Quando o bloqueio se dissolve, nada retém a energia, e ela pode se derramar no ser, aperfeiçoando-o momento a momento.

A Cura Espiritual

A cura em seu nível mais profundo não é meramente a restauração do corpo ou o alívio das emoções. É o restabelecimento da conexão entre a entidade e a fonte de toda energia. Quando esta conexão é clara, a cura acontece não como uma exceção, mas como uma expressão natural de como as coisas são.

O complexo espiritual é o menos distorcido dos três aspectos do ser. É descrito como um caminho, ou canal -- a lançadeira através da qual a energia individual de vontade da entidade alcança para cima e as correntes de fogo e vento criativos descem. Quando a mente é unidirecionada e equilibrada, e o corpo confortável em suas próprias tendências, o espírito se torna um comunicador funcional entre o finito e o infinito.

A capacidade de cura, como todas as capacidades que transcendem o ordinário, é efetuada pela abertura deste caminho para o Infinito Inteligente. Algumas entidades têm um portal aleatório no campo de energia espiritual, às vezes criado por substâncias químicas, e acessam esta energia sem controle e sem necessariamente desejar servir. O propósito do trabalho interior deliberado é abrir este canal de forma consciente e confiável, para que a cura se torne não uma anomalia, mas uma parte ordinária da vida.

O curador cristalizado opera sob este princípio. Tal entidade, tendo equilibrado e desbloqueado seus centros de energia, torna-se análoga em função à ação piramidal da Câmara do Rei. A energia entra através do ser, espirala através dos centros de energia e é canalizada através do centro de raio verde, o coração, antes de ser oferecida a quem busca cura.

É a partir do centro do coração que a energia curadora se move. Isso é significativo. Alguns usam a configuração do raio amarelo para transferir energia, e isso pode ser feito, mas os efeitos são questionáveis. Quem recebe tal energia pode continuar precisando dela sem que ocorra cura verdadeira na ausência do curador, porque a couraça não foi penetrada. Tal transferência também não leva adiante o processo do livre-arbítrio, que não é nativo do raio amarelo. A cura através do raio verde oferece ao buscador a oportunidade de aceitar uma visão nova do eu, um arranjo diferente de seus padrões de energia.

Mesmo um Errante das densidades superiores, portando a memória de grande capacidade, deve fazer este trabalho de equilíbrio na terceira densidade antes de poder se tornar um canal para a cura. As limitações da experiência encarnada se aplicam a todos. O errante pode lembrar a facilidade. Mas a facilidade não pode ser manifestada até que os centros de energia desta densidade estejam limpos. A vantagem que o errante porta não é habilidade, mas desejo -- o desejo de servir através deste método, que pode ser mais forte do que naqueles nativos desta densidade.

O Curador e o Curado

Chegamos agora a uma das verdades mais importantes e mais mal compreendidas sobre a cura: o curador não cura. O curador cristalizado é um canal para a energia inteligente que oferece uma oportunidade a uma entidade para que possa se curar. Em nenhum caso há outra descrição da cura.

Esta é uma declaração radical. Significa que a responsabilidade pela cura recai sempre sobre quem é curado. O papel do curador é oferecer uma oportunidade de realinhamento -- a chance de ver o eu em uma nova configuração, de aceitar um arranjo diferente das energias. Mas se a entidade aceita este novo arranjo é questão de seu próprio livre-arbítrio.

Se a entidade, em qualquer nível, deseja permanecer em seu padrão atual de distorção, assim o fará. O curador não pode anular esta escolha. Mesmo o canal mais cristalizado, mais equilibrado para a energia inteligente não pode impor cura sobre quem não a escolhe. A cura é sempre um ato de livre-arbítrio.

Esta compreensão porta um presente para aqueles que servem como curadores, desde que o curador nunca se aproxime de quem não lhe tenha pedido ajuda antes. Se estas entidades pudessem compreender plenamente que são responsáveis apenas por oferecer a oportunidade de cura, e não pela cura em si, uma enorme carga de responsabilidade mal concebida cairia deles. O curador que acredita ter falhado quando um paciente permanece doente compreendeu mal a natureza do trabalho. O curador é responsável apenas pela oferta. O que o outro-eu faz com essa oportunidade pertence ao outro-eu.

Também deve ser notado que quando quem deseja ser curado, embora sincero, permanece sem cura, escolhas pré-encarnativas podem estar em jogo. Algumas condições foram escolhidas antes do nascimento como parte do aprendizado da entidade. Em tais casos, o serviço mais útil pode ser sugerir que a entidade medite sobre os usos afirmativos de quaisquer limitações que experimente. A limitação não é uma punição. É um ensinamento escolhido pelo eu, para o eu.

Talvez o maior curador esteja dentro do eu. A meditação continuada abre acesso a este curador interior. E muitas formas de cura disponíveis entre os povos deste mundo -- cada uma tem virtude e pode ser considerada apropriada por qualquer buscador que deseje trabalhar com as distorções do complexo corporal. As formas são muitas. O princípio é um: a entidade cura a si mesma.

A Aceitação como Cura

A maioria das técnicas descritas neste capítulo (o exercício de equilíbrio, o processamento das distorções, a cura do corpo, a canalização de energia) repousa em um único princípio. Esse princípio é a aceitação.

O trabalho de equilíbrio se move da periferia ao centro. Começa com distorções específicas, como paciência e impaciência ou raiva e paz, conhecidas uma a uma. Avança através de camadas mais profundas do eu e chega à tarefa mais central: a aceitação do eu, caminho para aquilo que a disciplina da personalidade pede ao final, que é tornar-se o Criador.

Mesmo assim, esta aceitação central não pode ser alcançada pulando o trabalho anterior. O fundamento deve ser colocado com cuidado. É preciso primeiro conhecer as distorções do eu, escrutinar cada pensamento e ação em busca do fundamento preciso de cada reação. Este é o trabalho do autoconhecimento. O arquitrave deve estar no lugar antes que a estrutura seja erguida.

Quando este trabalho é feito (e é o trabalho de uma vida inteira, não de uma única sessão) o caminho se abre. Aceitação do eu, perdão do eu e direção da vontade: este é o caminho para a personalidade disciplinada. Quem se conhece e se aceita desobstrui o caminho para o portal do Criador. O caminho para o coração do eu passa por compreender, experimentar, aceitar e fundir-se, primeiro com o eu, depois com o outro-eu e finalmente com o Criador. Em cada parte infinitesimal do eu reside o Um com todo o Seu poder.

O Perdão desempenha um papel central neste processo. O Karma -- a inércia de ações postas em movimento -- continua até ser enfrentado por seu próprio antídoto: o perdão. Os dois conceitos são inseparáveis. A entidade que pôs uma ação em movimento pode se perdoar e nunca mais repetir o erro. Isso interrompe o ciclo.

Isso é verdade não apenas entre encarnações, mas em qualquer ponto dentro de uma única vida. Tanto o eu quanto qualquer outro-eu envolvido podem, a qualquer momento, através do processo de compreensão, aceitação e perdão, amenizar estes padrões.

A cura mais profunda, então, não é a correção de um sintoma físico nem a resolução de uma ferida emocional. É a realização, no mais fundo do eu, de que não há desarmonia nem imperfeição, de que tudo é completo, inteiro e perfeito. As distorções, os bloqueios, os padrões de sofrimento são reais dentro da ilusão, e merecem a plena atenção e cuidado do buscador. Mas abaixo deles jaz um ser que nunca foi danificado. O trabalho de equilibrar e curar é o trabalho de limpar o que obscurece esta verdade, não de construir algo que não estava lá antes.

E assim chegamos ao fechamento deste capítulo, e talvez à coisa mais importante que podemos dizer sobre a cura: é lembrar. É a remoção do esquecimento. Quando uma encarnação termina, ela é revisada e curada: você assimila o que viveu, pondera as inclinações que ganhou, e as condições da seguinte são escolhidas, por auxílio providenciado ou pelo próprio eu. O equilíbrio, a cura, o lento e paciente trabalho de autoconhecimento, tudo isso é parte de o Criador conhecer a Si mesmo através de você.